quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

FELIZ NATAL, ROU, ROU ROU, ROU...

Tempo de festa, de fraternidade, as pessoas comungam o mesmo pensamento, as famílias se reúnem numa só euforia, a criançada, ah! essa então, na expectativa de um bom papai Noel.

Xii, e a chaminé, por onde ele vai descer? Será que ele sabe qual é o andar do meu apartamento? questiona Malcon Robert, filho de um abastado estilista de uma grande capital.

Foveiro, filho de um catador de lixo, hoje reconhecido como reciclador, nos seus 08 anos de idade, jamais recebera um presente digno, na creche, sempre ficava por último. A família? Ah, quem dera, nunca soube se tinha avó ou avô, nunca sentaram à mesa reunidos para confraternizar a data especial, seus presentes sempre foram os reciclados, trabalhados pelo pai, que ao ver as vitrines, ornamentadas e cheias de presentes e luzes, embalagens brilhantes, deixavam-no extasiado.

Quando será meu Deus, que um dia eu vou dar um bom presente pra meu filho?

Rufino nunca pôde sentar num banco de uma escola, fizera o Mobral (Movimento brasileiro pela alfabetização) saíra bem, suas notas eram razoáveis e boa; com dificuldade aprendera a ler e escrever, na conta era o tal, o dono da reciclagem sabia que com ele não ia levar vantagem, nem no preço e nem no peso. Mas era estóico, puxava sua carroça cheia de papelões e outros objetos (dejetos), aquilo não lhe completava, porém, sabia que não ia passar fome, necessidade sim, pois o básico às vezes lhe faltava.

Foveiro já estudava. Aos 8 anos começava a gaguejar as palavras fáceis de pronunciar.

CA + FE = CAFÉ BO+LA=BOL. A

TOR+TA=TORTA PU+DIM=PUDIM.

Paiê, o que é torta ?

Paiê, o que é pudim ?

Deixa prá lá menino, isso é coisa de livro, não se acha por aqui. “Tirava de tempo”, não deixando que na criança despertasse as suas necessidades

Enquanto isso, mesa farta, vinhos de longa safra, whisky importado, cerejas, passas, amoras, e outras iguarias que a elite se empanturra esquecendo a ponte de safena. Caras vermelhas, bochechas inchadas, a comilança e a troca de presentes; tudo faz parte desta e daqueloutras famílias reunidas à espera da ceia natalina. Os abraços, sorrisos, “Feliz Natal”...

Chega a hora do esperado momento: a troca de presentes, o Amigo Secreto. Dona Cacilda, gordalhona, em dietas do dia seguinte, olhos vidrados na mesa, ouve...

_ Cacilda, você tirou quem?

_ Não digo, senão perde a graça. - Responde de maneira ríspida.

Amélia toda pan, esguia e tísica qual um palito de fósforo, troca idéias com Rosália.

Menina, você viu, que ridículo, como veste uma roupa dessa, meu marido ñ ia deixar , nem pensar! ... A inveja a transpirar.

Neste tom de amizade e cavalheirismo, desconfianças e olhares, as pessoas se cumprimentam. Beijos , abraços e escárnios, fazem parte de uma anual rotina; a família, os amigos e convidados onde a falsidade e a hipocrisia batem nos sinos de Belém, esquecendo eles que os presentes não representam a essência dessa festa.

Lá fora, uma chuva fina e desproposital, cai, molhando um monte de papelão que serve de leito para muitos dos nossos irmãos desvalidos.

Por dentro, os sinos bimbalam avisando a chegada daquele que veio ao mundo num só pensamento.

Todos nós somos filhos de um único “ DEUS”

FELIZ NATAL.

Gteixeira

12/2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O GARANHÃO DO RECÔNCAVO

O GARANHÃO.

Atenção, muita atenção. Nota de falecimento.

Anuncia o carro de som percorrendo as ruas daquela cidadezinha, pacata e ordeira,

“Acaba de falecer o Senhor Manoel dos santos aras”, mais conhecido por Nezinho, as suas esposas, Irenice dos santos Aras e Araci dos santos Ara, convidam para este ato de piedade cristã, saindo o féretro da Rua da Vaidade, dirigindo-se para a sua última morada, onde lá, ele receberá as homenagens. Estamos anunciando o falecimento de Manoel dos santos Ara, mais conhecido por Nezinho.”

Nezinho deixa como herança 2 sítios produtivos, criação de cabra e bode, mais alguns trocados por ele economizado, como pensão para as viúvas, para elas não passarem por aperto, além de um jumento, batizado por seleção, por seu pescoço ter duas pintas, na cor verde e outra amarela.

Contam as más línguas do lugar que, o velho tinha que comparecer pelo menos duas vezes por semana, para amenizar o fogo das donzelas, pois as moças, uma freqüentadora da igreja da matriz, beata convicta, a outra protestante da Igreja Universal. Sem pecado, era mais fogosa que Tereza Batista, D. Flor perdia feio, as meninas sapecavam no couro e o veio Mané não se contentava.

Acostumado na lida, após o trabalho, trazia sempre que voltava prá casa, na algibeira, coisas prá “home macho”, Arranca Toco, mandioca e Levanta defunto, para as meninas preparar chá de infusão, que lhe dava sustento e tesão. A do mijo, ah ah,ah, era sagrada, manhãzinha, galo cantando, sol despontando no horizonte, corria a mão pro lado direito, e lá estava uma periquita á espera, ao virar para o esquerdo, uma afronta, teria que dar conta do recado, deitada, peitos a mostra, mais em baixo, aquele alto relevo “capot de fusca” a espera do seu aconchego. E assim vivia Seu Mané, todo dia tinha que comparecer, se não...

Temente a Deus, cumprindo rigorosamente com as obrigações do templo protestante, varrendo terreiro, arrumando a casa, e lavando roupa, Ará, como era chamado pelo veio Mané, preparava quitutes deliciosos, a sua punheta (bolinho de estudante) era famoso, tanto sim, que levava para o pastor Bené, êta que delicia, ele se fartava, Vez por outra levava a penitente à sala de confissão, onde ali Ará era aconselhada a deixar o marido da sua irmã.

Contava ela, que Nezinho, dias alternados, após o trabalho, Seleção liberada dos afazeres, pronta para seu descanso diário, merecido, ele a esperava. No banheiro, sabonete no chão, torneira aberta, toalha no cabide talco na saboneteira, não fazia por menos, chibata na mão, bunda fresca ansiosa, aguardava aqueles momentos, carne lisa, seios pontiagudos, espuma a escorrer pelo corpo, descendo tal cachoeira a desaguar, formando um riacho de prazer, “água de morro abaixo, fogo de morro acima, mulher quando quer dá ninguém segura” e o couro comendo.

Ouvido colado na porta do banheiro, lado de fora, a mana mais velha sentia todo o ardor fogoso do gozo consentido, a mão a correr pelas partes íntimas, deixava-a toda molhada, sentindo as sensações, como se fosse recebedora das chibatadas do seu amante insaciável.

Desperta do seu idílio sensual ao ouvir o relincho inoportuno de Seleção, reclamando a presença do seu tratador. Atônita, peitos rijos fora da blusa, nádegas a roçar o cabo de vassoura, mãos operosas bulinando a vagina á mostra, líquido quente e viscoso escorrendo pernas abaixo.

- Valha-me Deus, vixe Maria, Satanás me possuiu de novo Pastor Bené.

-Tenho que pagar penitencia, senão o Diabo me espera na porta do inferno.

Bené se recompôs, camisas de manga comprida bem postada, calça preta, arriada, vai ao banheiro, ajeita-se, se vê no espelho. abaixo da axilas a Bíblia Sagrada.

Parte em direção a rua.

Em casa, sua filha menor faz a recepção.

- Papai, como foi a pregação...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

MÃO DE FERRO (2) o algoz

MÃO DE FERRO
O Algoz


Cidade pequena, pacata e ordeira
Ele é só o gestor.
Mas todos por aqui temem como feitor
suas ordens são cumpridas
as desordens também.
Lá vem ele chegando, pomposo,
barriga à mostra, camisa listrada
branco aparente, todos o respeitam.
Acenos, sorrisos.
Dia de festa,
a comilança saciando a fome dos carentes
No outro dia o desastre aparente.
Cumpra-se a ordem.
Trator ligado motor roncando, raivoso
cortadeira feroz, como se todos por aqui
fossem o algoz.
A cortadeira afiada atende e sacia
o cidadão honesto, não entende o que via
teria coragem de levar avante
tamanho gesto insano
“Pode derrubar, eu tô mandando
quem manda sou eu, derruba”
A turba enfurecida, corria sem saber para onde,
máquina ligada, choros, soluços, pedradas
porradas, ofensas, tumulto.
Trator monstro, cortadeira assassina.
O sorriso aparente, vitória esmagadora
No horizonte o sol fraco, aparecia
por entre os galhos da árvore que ficou
nua e vazia.

Gteixeira

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O GARANHÃO

O GARANHÃO.

Atenção, muita atenção. Nota de falecimento.
Anuncia o carro de som percorrendo as ruas daquela cidadezinha, pacata e ordeira,
“Acaba de falecer o Senhor Manoel dos santos aras”, mais conhecido por Nezinho, as suas esposas, Irenice dos santos Aras e Araci dos santos Ara, convidam para este ato de piedade cristã, saindo o féretro da Rua da Vaidade, dirigindo-se para a sua última morada, onde lá, ele receberá as homenagens. Estamos anunciando o falecimento de Manoel dos santos Ara, mais conhecido por Nezinho.
Nezinho deixa como herança 2 sítios produtivos, criação de cabra e bode, mais alguns trocados por ele economizado, como pensão para as viúvas, para elas não passarem por aperto, além de um jumento, batizado por seleção, por seu pescoço ter duas pintas, na cor verde e outra amarela.
Contam as más línguas do lugar que, o velho tinha que comparecer pelo menos duas vezes por semana, para amenizar o fogo das donzelas, pois as moças, uma freqüentadora da igreja da matriz, beata convicta, a outra protestante da Igreja Universal. Sem pecado, era mais fogosa que Tereza Batista, D. Flor perdia feio, as meninas sapecavam no couro e o veio Mané não se contentava.
Acostumado na lida, trazia sempre que voltava prá casa após o trabalho, na algibeira, coisas prá “home macho”, Arranca Toco, mandioca e Levanta defunto, para as meninas preparar chá de infusão, que lhe dava sustento e tesão. A do mijo, ah ah, era sagrada, manhãzinha, galo cantando, sol despontando no horizonte, corria a mão pro lado direito, e lá estava uma periquita a espera, ao virar para o esquerdo, uma afronta, teria que dar conta do recado, deitada de bruço, peitos á mostra, mais em baixo, aquele alto relevo “capot de fusca” a espera do seu aconchego. E assim vivia Seu Mané, todo dia tinha que comparecer, se não...
Temente a Deus, cumprido rigorosamente com as obrigações do templo protestante, varrendo terreiro, arrumando a casa, e lavando roupa, Ará, como era chamado pelo veio Mané, preparava quitutes deliciosos, a sua punheta (bolinho de estudante) era famoso, tanto sim, que levava para o pastor Bené, êta que delicia, ele se fartava, Vez por outra levava a penitente à sala de confissão, onde ali Ará era aconselhada a deixar o marido da sua irmã.
Contava ela, que Nezinho, dias alternados, após o trabalho, Seleção liberada dos afazeres, pronta para seu descanso diário, merecido, ele a esperava, no banheiro, sabonete no chão, torneira aberta, toalha no cabide talco na saboneteira, não fazia por menos, chibata na mão, bunda fresca ansiosa, aguardava aqueles momentos, carne lisa, seios pontiagudos, espuma a escorrer pelo corpo, descendo tal cachoeira a desaguar, formando um riacho de prazer, “água de morro abaixo, fogo de morro acima, mulher quando quer dá ninguém segura” e o couro comendo. Ouvido colado na porta do banheiro, lado de fora, a mana mais velha sentia todo o ardor fogoso do gozo consentido, a mão a correr pelas partes íntimas, deixava-a toda molhada, sentindo as sensações, como se fosse recebedora das chibatadas do seu amante insaciável.
Desperta do seu idílio sensual ao ouvir o relincho inoportuno de Seleção, reclamando a presença do seu tratador. Atónita, peitos rijos fora da blusa, nádegas a roçar o cabo de vassoura, mãos operosas bulinando a vagina á mostra, líquido quente e viscoso escorrendo pernas abaixo.
- Valha-me Deus, vixe Maria, Satanás me possuiu de novo Pastor Bené.
-Tenho que pagar penitencia, senão o Diabo me espera na porta do inferno.
Bené se recompôs, camisas de manga comprida bem postada, calça preta, arriada, ajeita-se, vai ao banheiro, se vê no espelho. abaixo da axilas a Bíblia Sagrada.
Parte em direção a rua.
Em casa, sua filha menor faz a recepção.
- Papai, como foi a pregação...
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domingo, 1 de agosto de 2010

MÃO DE FERRO

MÃO DE FERRO
Gteixeira

As coronárias do coronel
estão entupidas.
As ordens unidas estão separadas.
Os aquartelados estão desgovernados.
A caserna em polvorosa
mal espera ver a hora
do circo desabar.

Muito tempo de mando
e desmando.
A hora vem chegando
a aurora vai brilhar.
Os súditos sabem disso,
Um dia o pano cairá

O medo ainda impera
o chicote ainda açoita
sob os panos do pavor.

Mas o povo destemido
um dia erguerá
a bandeira da liberdade.
Sem fome e sem medo
gritará pela Cidade
num eterno festejar

domingo, 25 de julho de 2010

QUE SERIA DE UMA CIVILIZAÇÃO SEM A MÚSICA

QUE SERIA DE UMA CIVILIZAÇÃO SEM MÚSICA
Gteixeira

Levando pedras para erguer muralhas e fortalezas, enfrentando animais ferozes
fortes e famintos, numa luta desigual, o homem antigo para se defender assim procedia, passava suas horas (se houvesse relógio?) o tempo, e sobrevivia mas não tinha nem poderia ter, pois sentimento ali era inexistente, os ouvidos entupidos de ceras e bichos, como seria possível no seu escutador de bolero atentar para a singeleza musical de versos como;
vem maninha
vou botar todinha
vê se guenta
essa porradinha.
Quer mais lirismo do que isso aí. Então receba, vamos pro engenho velho, de Brotas ou
de cana de açúcar ? aproveitar deste melaço, que maravilha se lambuzem de poesia, da rima, das métricas e assimétricas, do lirismo, dos versus e reversos de tudo mais que você achar de proveitoso para uma sensibilidade musical
Minha eguinha pocotó,
pocotó,
pocotó,
pocotó.
Mulher, espécie em extinção na versão dos poetas urbanos .
Só as cachorras, No mundo animal está em alta, várias raças, branca, negra, mulata, loira.
cruzam no cio ou fora dele.
Todo enfiado, todo enfiado – Nas cachorras ou na eguinha, pobre dos animais
Rala a tcheka no chão, rala a tcheka no chão – as genitálias não ficam desnudas, porém não voam rasante, as cachorras, e as egüinhas, vão em busca do seu..
Quadrado, ado, ado ado, cada um no seu quadrado.
Fiquemos enfiado, vejamos na terminologia, as musas da hipotenusa,
que são elas.
Muita poesia...
Dinha, Ninha, Inha,
Neguinha.
Ginha, Lekas e Tekas
Fado Vado Ado
Vido Fudi e Dido
Sexo, exo, nexo
Xi, isso é complexo.
De inferioridade ou de Édipo.
Quer mais.
Isso me funde a cuca, uca, nuca, suca,
Por favor paremos por aí, antes que eu dê um derrame,
Derra, arre, ame.
Vou desligar o sintonizador, antes que joguem mais dejetos em meus ouvidos , e dêem a descarga. Ah ah ah

terça-feira, 20 de julho de 2010

OUVINDO MÚSICA SUAVE.
Gteixeira.


Ouvindo uma música suave, deslizando por sobre o meu corpo aqueles acordes sonoros, notas musicais corretas, fazendo com que os dedos ágeis deslizem sobre o teclado do instrumento, impingido em cada um deles canora nota musical.
Meu espírito estava despreparado para aquela sublime melodia, que, a cada segundo invadia o espaço, tomando todo o meu ser, fazendo com que a propagação do som o tornasse melancólica. Oh, como somos insensíveis, de onde vem este som puro, refinado, ao ponto de me deixar envolver.
Aí começa a viagem.
Porque não tenho ao meu lado aquela que eu queria que comigo estivesse neste momento ? se nada posso lhe dar, ao menos brindaria com o perfume celestial desta partitura angelical.
Piano, por que tocas em mim? que fiz por merecer passar em vida por este idílico momento, se a minha dor tu não consegues esconder.
Onde estará ela.?
Toca piano !, me leva ao êxtase, massageia todo o meu ser, deixa-o curado para que todos vejam que de suas teclas exalam perfumes sonoros, singelos e puros fazendo com que os homens reflitam. Ah vida, minha vida, onde deixei escapar.
Pelos dedos do artista vejo retornar todo fulgor da minha infância colorida, perdida entre o amadurecimento hominal e a busca incessante de crescer.
Toca piano, toca, estou a te escutar.
Sentindo o enebriar das notas invadindo meus tímpanos, tu me elevas as alturas.
Os virtuosos sabe a importância de uma sonata bem tocada.
Ele desliza seus hábeis dedos por sobre o teclado, de maneira que o mesmo sinta-se agraciado por aqueles momentos reconfortantes. Puro luxo.
Ele, mero instrumento não se dá conta do quanto é o seu poder de fazer seres humanos irem as alturas sem tirar os pés do chão. Levitamos só com a força dos seus acordes,
Não importa quem as escute, se pobre ou rico, feliz ou infeliz
Música suave, os amantes rodopiam nas pontas dos pés, olhos fechados, sente o mundo rodar, bom seria que esse tempo não acabasse.
O amor rende graças a este instrumento que traz graça, leveza, sutileza, harmonia, mansidão, complacência e atrela a seu redor amantes que buscam em fuga fugaz inebriados pelo aroma gracioso que só este instrumento tem o poder de proporcionar.
Sorriso de criança, tudo nele se faz canção ao vento, árvores frondosas recebendo seus lúdicos benfazejos fluídos. Idosos relembram áureos tempos em que os salões enchiam de moças e rapazes em busca do mais forte sentimento que dele dimana. A vida..
A orquestra começa a tocar uma canção trazendo todos os instrumentos em uníssono, Ele lá está em espera compassiva, silente, aguardando e sendo aguardado no momento pleno, como se as nuvens claras e o céu azul irrompesse o salão adentro no momento mais esperado por todos. E as notas fluem trazendo oa deleite todos que ali estão atentos expectantes.
Toca, piano toca, toca prá mim, a minha carencia se extingue ao soar de suas notas.
Felizes os que têem ouvidos de ouvir.

A INATINGÍVEL

A INATINGÍVEL
Gteixeira

Sempre presente, Lá do alto está ela imponente, fazenda inveja a mais bela das mulheres. Sua posição é de uma postura ímpar, sempre elegante, sempre bem arrumada, airosa e bela, cercada de súditos. Á noite desponta trazendo inspiração aos poetas, bêbados, notívagos que sonham em tê-la nem que seja por poucos momentos
Femininamente bela, alguns tentaram alcançá-la, pegá-la, tocá-la, sentir mais a sua proximidade, não se contiveram, invadiram a sua privacidade, não respeitando limites, trataram-na como propriedade privada, tiraram pedaços, pisaram, maltratando-a. São uns insensíveis, não conhecem o perfume nem a sutileza de uma flôr , todavia, Ela não se deixou amedrontar por aqueles brutamontes, homens da ciência e da tecnologia, porém frios de emoção e de coração, frios de alma.
Os dias passam e Ela num eterno vai-e-vem, nem se incomoda se outro astro, intrépido, pérfido e corajoso, também traga consigo o seu vai-e-vem diário. Com Ela o amor irradia (a todos indistintamente, ) sentimentos que ninguém consegue traduzir.
Tú és eternamente flor.
Tu é eternamente feminina.
Tu és o astro que embeleza o céu, e os homens da terra, abarrotados de bens e afazeres, não se dá conta que sobre suas cabeças fervilhante na busca desenfreada do vil metal, insensivelmente, não observa o luzir radioso de nossa majestade.
‘DINDINHA LUA’.
De volta do trabalho, após um dia cansativo da janela do coletivo ...
18/04/2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

BOMBA CICATRIZ

BOMBA CICATRIZ
Gteixeira

Aceso o estopim
Fagulha brilhante, arrasadora.
Das suas ventas brota a calamidade
Desastre ecológico prestes a se
Consumar.

Ferindo ´profundo
Criando mazelas
Deixando seqüelas.
No seu rastro de fome, miséria
e dor.

“Deixa de ser cretino
Seu covarde assassino
Matando seres indefesos
causando tanto desatino”

A bomba que mata o peixe
O mesmo que mata a fome.
A fome dos pequeninos.
A morte dos alevinos.
É isto que me consome.

OUVINDO MÚSICA SUAVE

OUVINDO MÚSICA SUAVE.
Gteixeira.


Ouvindo uma música suave, deslizando por sobre o meu corpo aqueles acordes sonoros, Notas musicais corretas, fazendo com que os dedos ágeis deslizem sobre o teclado do instrumento, impingido em cada um deles canôra nota musical.
Meu espírito estava despreparado para aquela sublime melodia, que, a cada segundo invadia o espaço, tomando todo o meu ser, fazendo com que a propagação do som o tornasse melancólica. Oh, como somos insensíveis, de onde vem este som puro, refinado, ao ponto de me deixar envolver. Aí começa a viagem.
Porque não tenho ao meu lado aquela que eu queria que comigo estivesse neste momento ? se nada posso lhe dar, ao menos brindaria com o perfume celestial desta partitura angelical.
Piano, por que tocas em mim? que fiz por merecer passar em vida por este idílico momento, se a minha dor tu não consegues esconder.
Onde estará ela.?
Toca piano !, me leva ao êxtase, massageia todo o meu ser, deixa-o curado para que todos vejam que de suas teclas exalam perfumes sonoros, singelos e puros fazendo com que os homens reflitam. Ah vida, minha vida, onde deixei escapar.
Pelos dedos do artista vejo retornar todo fulgor da minha infância colorida, perdida entre o amadurecimento hominal e a busca incessante de crescer.
Toca piano, toca, estou a te escutar.
Sentindo o enebriar das notas invadindo meus tímpanos, tu me elevas as alturas.
Os virtuosos sabe a importância de uma sonata bem tocada.
Ele desliza seus hábeis dedos por sobre o teclado, de maneira que o mesmo sinta-se agraciado por aqueles momentos reconfortantes. Puro luxo.
Ele, mero instrumento não se dá conta do quanto é o seu poder de fazer seres humanos irem as alturas sem tirar os pés do chão. Levitamos só com a força dos seus acordes,
Não importa quem as escute, se pobre ou rico, feliz ou infeliz
Música suave, enebriante, os amantes rodopiam nas pontas dos pés, olhos fechados, sente o mundo rodar, bom seria que esse tempo não acabasse.
O amor rende graças a este instrumento que traz graça, leveza, sutileza, harmonia, mansidão, complacência e atrela a seu redor amantes que buscam se buscam em fuga fulgaz enebriados pelo aroma gracioso que só este instrumento tem o poder de proporcionar.
Sorriso de criança, tudo nele se faz canção ao vento, árvores frondosas recebendo seus lúdicos benfazejos fluídos. Idosos relembram áureos tempos em que os salões enchiam de moças e rapazes em busca do mais forte sentimento que dele dimana. A vida..
A orquestra começa a tocar uma canção trazendo todos os instrumentos em uníssono, Ele lá está em espera compassiva, silente, aguardando e sendo aguardado no momento pleno, como se as nuvens claras e o ceu azul inrompesse o salão adentro no momento mais esperado por todos. E as notas fluem trazendo o deleite de todos que ali estão.
Toca, piano toca toca prá mim, a minha carencia se extingue ao soar de suas notas.
Felizes os que têem ouvidos de ouvir.

domingo, 13 de junho de 2010

HISTÓRIA DE NOSSO POVO

HISTÓRIA DE NOSSO POVO – INDEPEDÊNCIA DA BAHIA
A comemoração do dia 2 de Julho é uma celebração às tropas do Exército e da Marinha Brasileira que, através de muitas lutas, conseguiram a separação definitiva do Brasil do domínio de Portugal, em 1823. Neste dia as tropas brasileiras entraram na cidade de Salvador, que era ocupada pelo exército português, tomando a cidade de volta e consolidando a vitória.

Esta é uma data máxima para a Bahia e uma das mais importantes para a nação, já que, mesmo com a declaração de independente, em 1822, o Brasil ainda precisava se livrar das tropas portuguesas que persistiam em continuar em algumas províncias. Então, pela sua importância, principalmente para os baianos, todos os anos a Bahia celebra o 2 de Julho. Tropas militares relembram a entrada do Exército na cidade e uma série de homenagens são feitas aos combatentes.
Entre todas as comemorações, a do ano de 1849 teve um convidado muito especial. O marechal Pedro Labatut, que liderou a tropas brasileiras nas primeiras ofensivas ao Exército Português, participou do desfile, já bastante debilitado e sem recursos financeiros, mas com a felicidade de homenagear as tropas das quais fez parte.
Para chegar a este dia, muita luta foi travada...
O Brasil do início do século XVIII ainda era dominado por Portugal, enquanto o Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e a Bahia continuavam lutando pela independência. As províncias não suportavam mais a situação e, percebendo os privilégios que o Rio de Janeiro estava recebendo por ser a capital, Pernambuco e Bahia resolveram se rebelar.
Recife deu início a uma revolução anti-colonial em 6 de março de 1817. Esta revolução tinha uma ligação com a Bahia, já que havia grupos conspiradores compostos por militares, proprietários de engenhos, trabalhadores liberais e comerciantes. Ao saber desta movimentação, o então governador da Bahia, D. Marcos de Noronha e Brito advertiu alguns deles pessoalmente.
O governo estava em cima dos conspiradores e, devido à violenta série de assassinatos, muito baianos resolveram desistir. Com toda esta repressão, a revolução de Recife acabou sendo derrotada. Os presos pernambucanos foram trazidos para a Bahia, sendo muitos fuzilados no Campo da Pólvora ou presos na prisão de Aljube, onde grande personagens baianos também estavam presos.
Movimentação pela independência:
Diante das insatisfações, começaram as guerras pela independência. Os oficiais militares e civis baianos passaram a restringir a Junta Provisória do Governo da Bahia, que ditava as ordens na época, e com esta atitude foi formado um grupo conspirativo que realizou a manifestação de 3 de Novembro de 1821.
Esta manifestação exigia o fim da Junta Provisória, mas foi impedida pela "Legião Constitucional Lusitana", ordenada pelo coronel Francisco de Paula e Oliveira. Os dias se passaram e os conflitos continuavam intensos. Muitos brasileiros morreram em combate.

Força portuguesa:
No dia 31 de Janeiro de 1822 a Junta Provisória foi modificada. E depois de alguns dias, chegou de Portugal um decreto que nomeava o brigadeiro português, Ignácio Luiz Madeira de Mello, o novo governador de Armas.
Os oficias brasileiros não aceitavam esta imposição, pois este decreto teria que passar primeiro pela Câmara Municipal. Houve, então, forte resistência que envolveu muitos civis e militares.

Madeira de Mello não perdeu tempo e colocou as tropas portuguesas em prontidão, declarando que iria tomar posse. No dia 19 de fevereiro, os portugueses começaram a invadir quartéis, o forte São Pedro, inclusive o convento da Lapa, onde haviam alguns soldados brasileiros. Neste episódio, a abadessa Sónor Joana Angélica tentou impedir a entrada das tropas, mas acabou sendo morta.

Concluída a ocupação militar portuguesa em Salvador, Madeira de Mello fortaleceu as ligações entre a Bahia e Portugal. Assim a cidade recebeu novas tropas portuguesas e muitas famílias baianas fugiram para as cidades do recôncavo.
Contra-ataque brasileiro:
No recôncavo, houve outras lutas para a independência das cidades e o fortalecimento do exército brasileiro. O coronel Joaquim Pires de Carvalho reuniu todo seu armamento e tropas e entregou o comando ao general Pedro Labatut. Este, assim que assumiu, intimidou Madeira de Mello.
Labatut organizou todo seu exército em duas brigadas e iniciou uma série de providências. Aos poucos o exército brasileiro veio conquistando novos territórios até chegar próximo a cidade de Salvador.
Madeira de Mello recebeu novas tropas de Portugal e pretendia fechar o cerco pela ilha de Itaparica e Barra do Paraguaçu. Esta atitude preocupava os brasileiros, mas os movimentos de defesa do território cresciam. E foi na defesa da Barra do Paraguaçu que Maria Quitéria de Jesus Medeiros se destacou, uma corajosa mulher que vestiu as fardas de soldado do batalhão de "Voluntários do Príncipe" e lutou em defesa do Brasil.


Em maio de 1823, Labatut, em uma demostração de autoridade, ordenou prisões de oficiais brasileiros, mesmo sendo avisado do erro que estava cometendo, e acabou sendo cassado do comando e preso. O coronel José Joaquim de Lima e Silva assumiu o comando geral do Exército e no dia 3 de Junho ordenou uma grande ofensiva contra os portugueses. Com a força da Marinha Brasileira, o coronel apertou o cerco contra a cidade de Salvador, que estava sob domínio português, restringindo o abastecimento de materiais de primeira necessidade. Diante destes fortes ataques e das necessidades que estavam passando, Madeira de Mello enviou apelos e acabou se rendendo. Com a vitória, o Exército Brasileiro entrou em Salvador consolidando a retomada da cidade e fim da ocupação portuguesa no Brasil.
Pesquisado no Ibahia.com

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A PONTE (O sonho começou)

A PONTE
(O sonho começou)
Gteixeira

Finalmente aí vem ela, majestosa, pomposa, falta-lhes adjetivos maiúsculos para mostrar a sua verdadeira grandeza.
Esperada por todos com ansiedade como se fora a salvação da lavoura.
Temida por quantos desconhecidos, o dragão do capitalismo irá deixar marcas indeléveis. Soltando fogo pelas ventas devorará o que restar de hábitos e costumes de uma civilização ainda” in natura”.
Lá vem ela despontando, imponente, rasgando mares, cruzando espaço, fortaleza impoluta que ninguém será capaz de afrontá-la, nem poderia ser de outra forma.
A expectativa gerada em todos seus filhos “qual a mãe que não gostaria de parir este majestoso, gigantesco filho”, sabendo que ela já vem predestinada ao sucesso, das suas entranhas brotará mesa farta na casa dos pobres sonhadores, água jorrará em abundância, não mais será preciso migalhas, mangas temporão, abacate caindo ao chão, apodrecendo sem ninguém para consumi-lo, fartura em larga escala, a pobreza por aqui não terá vez, seremos emergentes, sim claro! estamos por sobre o mar, ricos e ex-pobres cruzarão o mesmo espaço, ela deixa livre a passagem para todos aqueles (as) que se permitirem atravessá-la.
Braços fortes e abertos a acolhê-los, peitos fartos a esperar que os seus rebentos desfrutem, mesmo por momentos fugaz, nas suas idas ou vindas, coisas que só uma mãe sabe como nutrí-los. Transeuntes em devaneio a mirar o pôr do sol, a banhar-se na luminosidade selênica, o infinito é bem mais perto, as nuvens são mais brancas, e o raiar do dia tornar-se-á deleite comum aos poucos escolhidos.
Pobreza nunca mais.
Aos poucos vamos nos acostumando à nova situação, o progresso chegará tal qual uma nave espacial aterrorizando, num planeta incógnito.
Que será de nossas crianças? Como fazer para não misturá-las aos novos posseiros. Temo pelas consequências que o progresso atrela. Drogas, baladas pesadas, gente branca mal educada, álcool, novos vícios. Prostituição, sumiço de crianças, estranheza e pavor estampado no semblante das criaturinhas mestiças acostumadas ao paradeiro, ao ócio rentável e a tranquilidade do lugar.
Ubaldo mostra-se preocupado esquecendo a necessidade de termos coisas melhores, o computador, a internet, o gps, e muitas tantas tralhas que irá nos beneficiar, necessidade de nos sentirmos vivos, integrados no sistema pulsante, interagindo com os afortunados. Somos gente e como tal “gente é pra brilhar não pra morrer de fome”, já dizia o poeta.
João, por aqui só aparece, de quando em vez, para desfrutar, devanear e usufruir deste paraíso, junto ao povo que dele lhe deu origem, “as tardes senta na rede, beberica seu melhor whisky, oferece uma cachaça ao vizinho, que folga em tê-lo como amigo e conterrâneo. Esquecendo as agruras que esse povo passa , a ponte para ele seria nefasta, afinal Copacabana lhe espera, cobertura, Ipanema, Leme, Leblon, sonhos realizados. sem desmerecimento.
Duro, Ponta de Areia, Ilha do medo, Gameleira.
Visto o fardão, na ilha sou povão
Ao raiar do dia seres humanos acorda na madrugada para o labutar diário, carregando seu fardo, munzuá, rede, balde cheio de crustáceos decápodes, coberto com folhas do mangue e outras ferramentas de trabalho, o ganha pão de cada dia.
Acordado estupefato, o ferry já atracando. Atônito o pescador levanta o rosto e vê bem a frente o cais. A cidade começa a despertar. Passa a mão pela cabeça, alisa o rosto queimado do sol, ergue-se e vai.
Assim como ele, muitos, outros e outras que ainda não conseguiram despertar.
O sonho acabou.

Gteixeira

domingo, 16 de maio de 2010

GRAVIDEZ INDESEJADA

GRAVIDEZ INDESEJADA

Gteixeira

Sem sorte na vida,
Na rua perdida
Ela sofrida.
A espera de alguém
Que lhe dê um vintém
Carinho quem sabe ?

Oh menina flor
Que nem desabrochou,
Tua boneca descorou

Pobre menina
De vida infeliz
Quem te fez adulta.
Hoje tu és somente
Meretriz.

Sonhos espatifados
No asfalto de uma grande cidade,
Ela perdida, sofrida,
que fará da vida.?
Ajudem-na...

FELIZ ANO VELHO

FELIZ ANO VELHO 1
Gteixeira

Todos estavam em festa, sorriso em todos os lábios, os abraços efusivos confraternizando-se entre si. Corações abertos a esperar um novo raiar.
- Avise pra Diana que já estamos prontos.
- Pô ela sempre demora, parece que vai casar.
- Que horas são? a pergunta vem do fundo,
- V’ambora gente, não vamos achar lugar para estacionar
O burburinho dos ambulantes em busca de seus clientes, a música alegre contagiando todos como um chamado a alegria, nos rostos estampados sorrisos e emoção.
Vem rodando 2010.!
Esse ano não vai ser igual aquele ao que passou
As promessas de melhora, de vida melhor, expectativa saudável, todos enfim partilhando como numa reunião familiar a contagem regressiva. Pobre ano velho tu que fostes saudado com igual euforia, hoje se vê a beira da senectude, mal completaste um ano de vida, e já te jogam fora, descartado igual folha sêca ao vento, com pouca serventia, ontem idolatrado, esperado como um rebento numa família em estruturação. Hoje pra nada serve, fica só no calendário.
- Oh Edgar, veja ai menino que data caiu a lavagem do Bonfim...
Contagem regressiva, todos caminhando em direção ao mar, saudar Iemanjá, outros carregando sua champgne para pipocar ao raiar do ano novo, festa bonita de se vê.
Ali se misturam brancos, negros, toda classe social, todos enfim num mesmo fanal, uns se achando melhores que outros, pouca importância da aos menos afortunados, pobres mortais todos são iguais.
Abancando-se nas suas mesas, forradas, bebidas em larga escala, acepipes para todos os gostos, frutos do mar em alta, da lagosta e camarão que os pequenos mortais pescam e eles se aboletam, empanturram-se, como se fosse a última. A cerveja gelada, o refri para as crianças. Todos em um só pensamento, a espera do ano novo.
No hotel ao lado, afortunados esbanjam fartura, derrame de whiski importado, cerveja da boa, Kaize Book, Boehmia, amoras, avelãs, salames, queijos e tofus tudo enfim que faz por merecer uma casta privilegiada.
- Seja coerente, Não tem mais vaga, toda área está lotada de carros... pede o funcionário da Prefeitura educadamente, impedindo o turista de avançar a barreira que demarca o fim do estacionamento.
- Obrigado moço, agradece o condutor do veículo, num possante carro importado, que pouco se vê rodando nestas paragens.
Do outro lado, humilde cidadão ao pedalar sua bicicleta se vê restringido o seu direito de ir e vir por querer colocar seu veículo ao lado da barraca de seu primo,
- Aqui não pode pô, quer atrapalhar meu trabalho..., brada o vigilante,
- Sai fora Neco, você é criador de caso, se continuar vou chamar a polícia
- Ta bom, com o branco você não faz assim, nós da terra num tem lugar nem pra ver os fogo.
Vai começar o ponto culminante de nossa festa, anuncia o locutor, aquela voz por demais conhecida por todos freqüentadores.
E eis que estouram no ar fogos de artifício, lindos de se vê, acompanhando os aplausos de todos presente. A mente e o coração voltados para a alegria, felicidade incontida, misturam-se todos, o povo ralé, a plebe rudimentar, o rico abastado, todos cumprimentam-se, abraços, euforia, felicidade estampada nas faces deslumbradas. No céu mais um ribombar de fogos chamando a tenção dos presente, que extasiados olham o céu em sua magnitude, lindo, com o colorido artificial.
- Vocês pensam que acabou, agora é que vem o melhor, avisa a voz agoureira prenunciando a desgraça.
Os fogos não subiram, desceram em cima dos presente desafortunados, a correria, o estrondo de um morteiro em direção da barraca principal (da ellite) toda engalanada, que esperava um grande faturamento, lógico é dia de festa e os clientes vips estariam por lá.
Correria insana, sangues sobre as mesas, estilhaços de vidros cortantes por todo lado, pessoas queimadas, mutilações, escoriações por todo corpo, feridas exposta, mais ainda o pânico, o pavor , mdo do inesperado.
- Meu Deus como tudo pôde acabar assim, uma festa tão linda!
- Chamem uma ambulância, por favor, quem tiver carro que leve os acidentados para
O hospital (sic).
- Não, por Deus suspendam os fogos, bradava o locutor, não há mais razão de continuar.
Mais um carro aqui, por favor, aos berros ele gritava,
A correria desenfreada, sem rumo, sem norte, o povo sim a massa não pensa torna-se turba, sem governo, sem destino.
Porque aconteceu este trágico acidente
A quem culpar.?
^Quem será responsabilizado?
São perguntas que todos fazem, porem esquece que o estopim ainda continua acêso, e irá detonar no colo de quem?
FELIZ ANO NOVO.

Gteixeira
Quinta-feira, 26 de março de 2009.

CRÔNICA DO REAL
Nasci de novo.
Mais precisamente as 14;00hs, nesta data transitava eu por um bairro na Cidade de (do) Salvador, indo em busca de me reencontrar, por em dia a caridade, orar por alguém, coisas do amor, do coração segundo o apostolo, “dando que se recebe” absorto em pensamentos tais que a viagem mental fazia-se presente, estava pisando na terra, em algum bairro que poderia dizer-se terra de ninguém, no jargão futebolístico, ali não nasce grama é árido, seco sem generalizar, pois muitas almas boas por ali residem, vivem seu dia a dia, sem dar conta do que se passa ao seu redor. Ah maravilha! o papa por aqui passou, rezou missa, salvou almas do purgatório abençoou os pecadores.
D. Dina uma grande cozinheira, mora por ali, Tânia também sua irmã gente boa acho até que ela já se mudou, foi por causa de Carrasco, um cara nem aí, bebia pra caramba, gente boa, bombinha pra ele, ah mais ralo que suco de uva, só duas pra benzer o dia. Seu Zé serralheiro, o encontrou dentro da vala no Bate-estaca, espumando, cheirando a 51, pobre Carrasco, logo no dia do pagamento, as grades de Seu Joca, técnico de televisão, esse sim fera num preto e branco consertava de tudo, toda pronta feita com vergalhão do ferro velho
a grade pintada com zarcão mais parecia corrimão da igreja do sétimo dia onde o pastor Zaqeu derrama palavras por ele ditas como de Deus, santa heresia. O Papa passou por aqui!
Nesta viagem onde todos aqui vibram com a chegada do dia do recebimento do bolsa família a garantia da felicidade;
Sabendo que as bocadas estão se formando, o passo se acelera, o coração bate apressado, o beco torna-se cumprido e escuro, o algoz aproxima-se, abraço de tamanduá, pescoço engravatado por um braço mulato e forte, arma em punho no pescoço da vitima.
- Se gritar morre, .O diálogo é rápido, ríspido, forte
- Entregue tudo,... Só tem isso, . Vamos pó, cadê o relógio, ... Não me olhe, baixe a cabeça, rumbora, rumbora, que se fudê porra, anda logo caralho, o outro corre a mão pelos bolso da calça, limpa tudo e se adianta, trabalho bem feito.
Levaram quase tudo, corri mão no bolso e lá estava o relógio e o celular, Ufa que alivio, me situei, entrei numa loja, marceneiro trabalhando contei o acontecido, bebi um copo d’água, de repente.
- Quem mandou você entrar no estabelecimento do cara, filho da puta ?
- Se caguetar vou derrubar todos dois...
- Cadê o relógio ? O de camisa vermelha, acompanhado pelo menor, ainda de arma em punho, pede de novo cadê..., Passei a mão no bolso traseiro, vi a arma de relance, observei na mão do grandão a minha carteira, Ah, era verdade, ele o margina estava me devolvendo a minha carteira com tudo dentro, exceto a grana, claro. Fiz a permuta, carteira de um, relógio de outro.
Tomei pé, respirei, ainda não tinha me situado, continuava a viagem,
Chegando ao destino, suor por todos os poros, busquei ar puro, abrir a porta para me refrescar pernas trêmulas, camisa encharcada.
Medo não senti, pois a ação de tão rápida não deixa este sentimento aflorar. Segue a viagem, eles se foram outras vitimas farão.
Adentro a casa de oração.
- Lá isso é hora chegou atrasado de novo
- Pai nosso que estas no céu, ... Senhor escutai a nossa prece.
Agradeço a Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo e aos espíritos benfeitores que me deram uma nova oportunidade de por aqui passar pelas provas e expiações, sem nada ter que reclamar.
Estou vivo. Graças a DEUS.
Muito obrigado Senhor. Muito obrigado.

Gteixeira

sábado, 15 de maio de 2010

COTIDIANO

COTIDIANO
1 gteixeira · Salinas da Margarida, BA

1/3/2010 · 9 · 10 COTIDIANO

“..Quando de repente o papagaio do motô ataca com um arrocha naquela voz anasalado, que tormento!
“O amor não acabou, não acabou o amor”, diz aos ouvintes ser um cantor apaixonado, de repente sai
“faz um jeitinho que ela gosta, arrocha, arrocha, arrocha” lá no fundo ouve-se um grito, ou gemido, uiiiii, lascívia pura num verdadeiro orgasmo musical,
levando ao delírio as pobres cabeças “non sense” que se regozijam ao chegar o fim do mês. Irão eles de cartão em punho buscar as migalhas oferecidas, formando filas dos desesperados a frente dos estabelecimentos bancários, lá vão eles, felizes, até quando...
- Que bom, acho que vai da pra comprar o novo cd de Tyrone Cigano.
- Ah besta! Você não ouviu o de Silvano Sales, tá melhor do que o de Nara. Retruca a amiga ao lado.
Sobrou pra Nara, que no túmulo se ouvisse, como diz os espiritualista, morto vive, ela provavelmente balançaria ao saber que seu nome era citado. Mas que nada, não era aquela Nara que pensamos, pois ali ela viraria gatinha, dessas deserdadas que nem em peixaria se vê.
E lá vão eles, enfrentando o buzu cheio do dia dia, satisfeitos com a benesse do Governo que os arrocha sem sentirem... e o arrocha acaba em terra, quando um desmarcado roça a bunda de D. Benedita, e ela berra,
- sai pra lá filho de anta, ta pensando que aqui é a bunda sua mãe, porra.!
Descendo ladeira abaixo, óbvio pois quem desce só desce, o nosso buzu para no ponto da feira de Água de Meninos, uma das maiores feiras livre do Nordeste, famosa por constar em romances de Jorge Amado, completando sua lotação. Escrito está bem a frente do motorista “23 passageiros sentados, 8 passageiros em pé “ porém nem sempre vale o que está escrito. Apinhados como sardinha em lata, sobe dentre eles uma senhora, devidamente paramentada com a camisa nas cores vermelha e preta, no peito em alto relevo orgulhosamente ela exibe como se fora vitrine de loja na Baixa dos Sapateiros, distintivo do E.C.Vitória, traz enrolado no papel jornal, embaixo do braço um galináceo rubro, de crista carnuda e asas curtas e longas, espécie preferida dos praticantes da religião do candomblé, fácil prevê que aquela ave seria sacrificada no ritual daquela seita. Ao seu lado um passageiro, bem vestido, de casaco branco, botões vermelhos, contrastando com a cor da beca, fazendo-se notar.
Eis que de repente.(sic) O galo estica o pescoço para tomar um ar e ver-se livre daquele odor forte, insuportável que sai debaixo daquelas gordas axilas, vê de imediato á sua frente três carôço de milho, bicou de imediato, arrancando o botão do paletó de nosso impecável passageiro.
Ai o bicho pegou... O bem vestido cavalheiro, tacou-lhe um bofete. O galo, sentiu a cabeça rodar, meio atônito, sem saber o que acontecia, não perdeu a pose. Cantou
- Cocorocó... Dona gorda de imediato retrucou.
- Tu vai ver sacana, esse galo é de Exu, vai me pagar, você vai cagar sangue.
E segue o buzu, conduzindo seus passageiros aos melancólicos destinos, cada um carregando consigo mazelas e dificuldades que, nem se dão conta de sua grandeza como seres humanos, em sua pequenez como gente, que habita em bairros periféricos de uma grande city latino-americana.
Adiante uma placa sinalizadora indica a próxima parada.
Suçuarana.
O cobra ataca... Quem vai ficar na Onça ? Numa alusão ao bairro que leva o nome de um carnívoro felino, que para sobreviver na selva, estraçalha sua vítimas com garras e dentes afiados, tal qual o sistema imposto aos menos favorecidos que habitam as grandes metrópoles, como nossos passantes, que não se da conta da sua verdadeira identidade.
E segue o buzu.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ENTRE OS MUROS DO CONVENTO



ENTRE OS MUROS DO CONVENTO

Acorrem os fies aos domingos e demais dias santificados aos templos religiosos em busca da paz. Sequiosos para ouvirem palavras bentas, lenitivos para suas dores.
O templo repleto, cheios de boas intenções, vibrações positivas, palavras encorajadoras, o povo sedento, ávidos para beber nesta fonte em busca pela (da) paz, água para a fonte da vida.
Atentos, contritos, nenhum zumbido ouvia no ar, somente a voz do bom pastor, recebiam aquele bálsamo como tábua de salvação.
“Irmãos, estamos passando por momentos difíceis, em toda terra a miséria, a necessidade e a fome impera em nossa sociedade” brada a voz, arrastando um sotaque meio alemão, a portuguesado, fazendo eco, ecoante dentro do templo daquelas almas sofridas.
- Mamãe, porque o padre fala assim.?
- Cale a boca menino, dizer isso é pecado
Responde a matriarca, com seu tom castrador, inibindo qualquer reação da criança.
E o líder religioso continua sua pregação, alertando os fies da necessidade de sermos mais solidários, caridosos e benevolente.
Lá fora a violência campeia, assaltos a mão armada, seqüestros, brigas no trânsito, pedofilia, e vidas ceifadas, formam as manchetes dos noticiários jornalísticos e televisivos.
Mães protetoras em busca de segurança e educação para seus filhos, jovens puros, sorriso alegre, olhos brilhantes, não vê a hora de um dia ali estar, ao lado daquele que poderá ser o seu tutor, o espelho de onde virá os grandes ensinamentos, postulados como o dom da oratória, benevolência, castidade, a moral e os bons costumes, estudar e aprender, praticar os mandamentos maiores.
Em casa , despreocupada após longo e estafante dia cheio de afazeres, senta a frente da tv a espera da novela, de repente o noticiário em rede nacional, abala bem no fundo as fibras daquela mãe que sempre buscou o melhor, o mais seguro, uma educação de primeira, onde as drogas não o ameaçaria. Vê-lo brilhar, garboso e belo á frente do altar, seminarista, vestindo batina ou paletó preto, discreto, conduzindo seu rebanho como ela sempre sonhara.
Vaticano evita polêmica antissemita
“O porta-voz do Vaticano Raniero Cantalamessa comparou aqueles que acusam Bento 16 de envolvimento em casos de abuso sexual aos nazistas. Porta-voz do Vaticano disse que o padre não falou em nome do Papa. Mesmo na Semana Santa, o escândalo de abuso sexual de crianças por padres católicos continua a incomodar o Vaticano.
Grupos judaicos protestaram contra o padre Raniero Cantalamessa, que tem o título oficial de pregador da Casa Pontifícia e que na sexta-feira, comparou aqueles que acusam Bento 16 de envolvimento no escândalo, aos nazistas que perseguiram os judeus na Alemanha.
Disse que o padre Cantalamessa não falou em nome do Papa.
Nos Estados Unidos, o fundador de um importante centro judaico que documenta crimes ligados ao holocausto, disse que comparar as acusações ao Papa à perseguição dos judeus na Segunda Guerra é "uma completa distorção da história". .
A agência de notícias Associated Press divulgou, segundo a agência, nos anos 90, o então cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento 16, teria recebido de um bispo do Arizona o pedido de expulsão de dois padres acusados de abuso sexual de menores. Em um dos casos, dois meninos de 7 e 9 anos teriam sido molestados dentro do confessionário.” (Jn/Rede globo 03/04/10)
‘VATICANO DEFENDE O PAPA FRENTE AOS CASOS DE PEDOFILIA”
“O Vaticano reagiu neste sábado ao que chamou de campanha agressiva contra o Papa.
Quem se manifestou foi o porta-voz. Frederico Lombardi classificou como um esforço agressivo de pessoas que tentaram ligar o papa Bento XVI aos casos de pedofilia dentro da igreja alemã.
O promotor da Santa Sé também deu uma entrevista a um jornal italiano, afirmando que as acusações são caluniosas. Mas reconheceu que nos últimos nove anos, três mil denúncias foram feitas contra padres por abuso de menores.
Nesta sexta, um jornal alemão afirmou que o papa acolheu um padre suspeito de pedofilia quando ainda era arcebispo de Munique, na década de 80. De acordo com o jornal, o papa teria aceitado a transferência do padre para a diocese, onde faria terapia.
Mas o padre acabou retornando o seu trabalho pastoral. Nesta sexta, um subordinado de Bento XVI, na época assumiu toda a responsabilidade pelo caso.
A igreja alemã já pediu desculpas às centenas de vítimas de pedofilia por padres,”
(Jn/Rede Globo – 13/03/10).”
. Por trás daqueles templos suntuosos, luxo e luxuria se misturam. As imagens sacras saltariam das pupilas se enxergasse a pouca vergonha dos libidinosos seminaristas, induzindo precocemente os puros, inocentes imberbes, sem espinhas no rosto, levando-os ao despertar da mais sagrada das funções que são as forcas genésicas.
Aturdidos, acuados, os jovens se vêem presa fácil para o gáudio dos presbíteros, padres, diáconos, monsenhores e senhores que deviam, servir como luz para aqueles que o seguem e serve. São simplesmente sombra na escuridão.
“A Santa Igreja reconhece que os seus subordinados praticaram atos de abuso sexual contra menores.”.
Santa heresia.
Santa podridão.
Vocês vão queimar tal qual os inquisidores queimavam áqueles que iam de encontro aos seus postulados.
Deus que perdoe os seus pecados.
Gteixeira.