quinta-feira, 26 de agosto de 2010

MÃO DE FERRO (2) o algoz

MÃO DE FERRO
O Algoz


Cidade pequena, pacata e ordeira
Ele é só o gestor.
Mas todos por aqui temem como feitor
suas ordens são cumpridas
as desordens também.
Lá vem ele chegando, pomposo,
barriga à mostra, camisa listrada
branco aparente, todos o respeitam.
Acenos, sorrisos.
Dia de festa,
a comilança saciando a fome dos carentes
No outro dia o desastre aparente.
Cumpra-se a ordem.
Trator ligado motor roncando, raivoso
cortadeira feroz, como se todos por aqui
fossem o algoz.
A cortadeira afiada atende e sacia
o cidadão honesto, não entende o que via
teria coragem de levar avante
tamanho gesto insano
“Pode derrubar, eu tô mandando
quem manda sou eu, derruba”
A turba enfurecida, corria sem saber para onde,
máquina ligada, choros, soluços, pedradas
porradas, ofensas, tumulto.
Trator monstro, cortadeira assassina.
O sorriso aparente, vitória esmagadora
No horizonte o sol fraco, aparecia
por entre os galhos da árvore que ficou
nua e vazia.

Gteixeira

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