A PONTE
(O sonho começou)
Gteixeira
Finalmente aí vem ela, majestosa, pomposa, falta-lhes adjetivos maiúsculos para mostrar a sua verdadeira grandeza.
Esperada por todos com ansiedade como se fora a salvação da lavoura.
Temida por quantos desconhecidos, o dragão do capitalismo irá deixar marcas indeléveis. Soltando fogo pelas ventas devorará o que restar de hábitos e costumes de uma civilização ainda” in natura”.
Lá vem ela despontando, imponente, rasgando mares, cruzando espaço, fortaleza impoluta que ninguém será capaz de afrontá-la, nem poderia ser de outra forma.
A expectativa gerada em todos seus filhos “qual a mãe que não gostaria de parir este majestoso, gigantesco filho”, sabendo que ela já vem predestinada ao sucesso, das suas entranhas brotará mesa farta na casa dos pobres sonhadores, água jorrará em abundância, não mais será preciso migalhas, mangas temporão, abacate caindo ao chão, apodrecendo sem ninguém para consumi-lo, fartura em larga escala, a pobreza por aqui não terá vez, seremos emergentes, sim claro! estamos por sobre o mar, ricos e ex-pobres cruzarão o mesmo espaço, ela deixa livre a passagem para todos aqueles (as) que se permitirem atravessá-la.
Braços fortes e abertos a acolhê-los, peitos fartos a esperar que os seus rebentos desfrutem, mesmo por momentos fugaz, nas suas idas ou vindas, coisas que só uma mãe sabe como nutrí-los. Transeuntes em devaneio a mirar o pôr do sol, a banhar-se na luminosidade selênica, o infinito é bem mais perto, as nuvens são mais brancas, e o raiar do dia tornar-se-á deleite comum aos poucos escolhidos.
Pobreza nunca mais.
Aos poucos vamos nos acostumando à nova situação, o progresso chegará tal qual uma nave espacial aterrorizando, num planeta incógnito.
Que será de nossas crianças? Como fazer para não misturá-las aos novos posseiros. Temo pelas consequências que o progresso atrela. Drogas, baladas pesadas, gente branca mal educada, álcool, novos vícios. Prostituição, sumiço de crianças, estranheza e pavor estampado no semblante das criaturinhas mestiças acostumadas ao paradeiro, ao ócio rentável e a tranquilidade do lugar.
Ubaldo mostra-se preocupado esquecendo a necessidade de termos coisas melhores, o computador, a internet, o gps, e muitas tantas tralhas que irá nos beneficiar, necessidade de nos sentirmos vivos, integrados no sistema pulsante, interagindo com os afortunados. Somos gente e como tal “gente é pra brilhar não pra morrer de fome”, já dizia o poeta.
João, por aqui só aparece, de quando em vez, para desfrutar, devanear e usufruir deste paraíso, junto ao povo que dele lhe deu origem, “as tardes senta na rede, beberica seu melhor whisky, oferece uma cachaça ao vizinho, que folga em tê-lo como amigo e conterrâneo. Esquecendo as agruras que esse povo passa , a ponte para ele seria nefasta, afinal Copacabana lhe espera, cobertura, Ipanema, Leme, Leblon, sonhos realizados. sem desmerecimento.
Duro, Ponta de Areia, Ilha do medo, Gameleira.
Visto o fardão, na ilha sou povão
Ao raiar do dia seres humanos acorda na madrugada para o labutar diário, carregando seu fardo, munzuá, rede, balde cheio de crustáceos decápodes, coberto com folhas do mangue e outras ferramentas de trabalho, o ganha pão de cada dia.
Acordado estupefato, o ferry já atracando. Atônito o pescador levanta o rosto e vê bem a frente o cais. A cidade começa a despertar. Passa a mão pela cabeça, alisa o rosto queimado do sol, ergue-se e vai.
Assim como ele, muitos, outros e outras que ainda não conseguiram despertar.
O sonho acabou.
Gteixeira
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
GRAVIDEZ INDESEJADA
GRAVIDEZ INDESEJADA
Gteixeira
Sem sorte na vida,
Na rua perdida
Ela sofrida.
A espera de alguém
Que lhe dê um vintém
Carinho quem sabe ?
Oh menina flor
Que nem desabrochou,
Tua boneca descorou
Pobre menina
De vida infeliz
Quem te fez adulta.
Hoje tu és somente
Meretriz.
Sonhos espatifados
No asfalto de uma grande cidade,
Ela perdida, sofrida,
que fará da vida.?
Ajudem-na...
Gteixeira
Sem sorte na vida,
Na rua perdida
Ela sofrida.
A espera de alguém
Que lhe dê um vintém
Carinho quem sabe ?
Oh menina flor
Que nem desabrochou,
Tua boneca descorou
Pobre menina
De vida infeliz
Quem te fez adulta.
Hoje tu és somente
Meretriz.
Sonhos espatifados
No asfalto de uma grande cidade,
Ela perdida, sofrida,
que fará da vida.?
Ajudem-na...
FELIZ ANO VELHO
FELIZ ANO VELHO 1
Gteixeira
Todos estavam em festa, sorriso em todos os lábios, os abraços efusivos confraternizando-se entre si. Corações abertos a esperar um novo raiar.
- Avise pra Diana que já estamos prontos.
- Pô ela sempre demora, parece que vai casar.
- Que horas são? a pergunta vem do fundo,
- V’ambora gente, não vamos achar lugar para estacionar
O burburinho dos ambulantes em busca de seus clientes, a música alegre contagiando todos como um chamado a alegria, nos rostos estampados sorrisos e emoção.
Vem rodando 2010.!
Esse ano não vai ser igual aquele ao que passou
As promessas de melhora, de vida melhor, expectativa saudável, todos enfim partilhando como numa reunião familiar a contagem regressiva. Pobre ano velho tu que fostes saudado com igual euforia, hoje se vê a beira da senectude, mal completaste um ano de vida, e já te jogam fora, descartado igual folha sêca ao vento, com pouca serventia, ontem idolatrado, esperado como um rebento numa família em estruturação. Hoje pra nada serve, fica só no calendário.
- Oh Edgar, veja ai menino que data caiu a lavagem do Bonfim...
Contagem regressiva, todos caminhando em direção ao mar, saudar Iemanjá, outros carregando sua champgne para pipocar ao raiar do ano novo, festa bonita de se vê.
Ali se misturam brancos, negros, toda classe social, todos enfim num mesmo fanal, uns se achando melhores que outros, pouca importância da aos menos afortunados, pobres mortais todos são iguais.
Abancando-se nas suas mesas, forradas, bebidas em larga escala, acepipes para todos os gostos, frutos do mar em alta, da lagosta e camarão que os pequenos mortais pescam e eles se aboletam, empanturram-se, como se fosse a última. A cerveja gelada, o refri para as crianças. Todos em um só pensamento, a espera do ano novo.
No hotel ao lado, afortunados esbanjam fartura, derrame de whiski importado, cerveja da boa, Kaize Book, Boehmia, amoras, avelãs, salames, queijos e tofus tudo enfim que faz por merecer uma casta privilegiada.
- Seja coerente, Não tem mais vaga, toda área está lotada de carros... pede o funcionário da Prefeitura educadamente, impedindo o turista de avançar a barreira que demarca o fim do estacionamento.
- Obrigado moço, agradece o condutor do veículo, num possante carro importado, que pouco se vê rodando nestas paragens.
Do outro lado, humilde cidadão ao pedalar sua bicicleta se vê restringido o seu direito de ir e vir por querer colocar seu veículo ao lado da barraca de seu primo,
- Aqui não pode pô, quer atrapalhar meu trabalho..., brada o vigilante,
- Sai fora Neco, você é criador de caso, se continuar vou chamar a polícia
- Ta bom, com o branco você não faz assim, nós da terra num tem lugar nem pra ver os fogo.
Vai começar o ponto culminante de nossa festa, anuncia o locutor, aquela voz por demais conhecida por todos freqüentadores.
E eis que estouram no ar fogos de artifício, lindos de se vê, acompanhando os aplausos de todos presente. A mente e o coração voltados para a alegria, felicidade incontida, misturam-se todos, o povo ralé, a plebe rudimentar, o rico abastado, todos cumprimentam-se, abraços, euforia, felicidade estampada nas faces deslumbradas. No céu mais um ribombar de fogos chamando a tenção dos presente, que extasiados olham o céu em sua magnitude, lindo, com o colorido artificial.
- Vocês pensam que acabou, agora é que vem o melhor, avisa a voz agoureira prenunciando a desgraça.
Os fogos não subiram, desceram em cima dos presente desafortunados, a correria, o estrondo de um morteiro em direção da barraca principal (da ellite) toda engalanada, que esperava um grande faturamento, lógico é dia de festa e os clientes vips estariam por lá.
Correria insana, sangues sobre as mesas, estilhaços de vidros cortantes por todo lado, pessoas queimadas, mutilações, escoriações por todo corpo, feridas exposta, mais ainda o pânico, o pavor , mdo do inesperado.
- Meu Deus como tudo pôde acabar assim, uma festa tão linda!
- Chamem uma ambulância, por favor, quem tiver carro que leve os acidentados para
O hospital (sic).
- Não, por Deus suspendam os fogos, bradava o locutor, não há mais razão de continuar.
Mais um carro aqui, por favor, aos berros ele gritava,
A correria desenfreada, sem rumo, sem norte, o povo sim a massa não pensa torna-se turba, sem governo, sem destino.
Porque aconteceu este trágico acidente
A quem culpar.?
^Quem será responsabilizado?
São perguntas que todos fazem, porem esquece que o estopim ainda continua acêso, e irá detonar no colo de quem?
FELIZ ANO NOVO.
Gteixeira
Gteixeira
Todos estavam em festa, sorriso em todos os lábios, os abraços efusivos confraternizando-se entre si. Corações abertos a esperar um novo raiar.
- Avise pra Diana que já estamos prontos.
- Pô ela sempre demora, parece que vai casar.
- Que horas são? a pergunta vem do fundo,
- V’ambora gente, não vamos achar lugar para estacionar
O burburinho dos ambulantes em busca de seus clientes, a música alegre contagiando todos como um chamado a alegria, nos rostos estampados sorrisos e emoção.
Vem rodando 2010.!
Esse ano não vai ser igual aquele ao que passou
As promessas de melhora, de vida melhor, expectativa saudável, todos enfim partilhando como numa reunião familiar a contagem regressiva. Pobre ano velho tu que fostes saudado com igual euforia, hoje se vê a beira da senectude, mal completaste um ano de vida, e já te jogam fora, descartado igual folha sêca ao vento, com pouca serventia, ontem idolatrado, esperado como um rebento numa família em estruturação. Hoje pra nada serve, fica só no calendário.
- Oh Edgar, veja ai menino que data caiu a lavagem do Bonfim...
Contagem regressiva, todos caminhando em direção ao mar, saudar Iemanjá, outros carregando sua champgne para pipocar ao raiar do ano novo, festa bonita de se vê.
Ali se misturam brancos, negros, toda classe social, todos enfim num mesmo fanal, uns se achando melhores que outros, pouca importância da aos menos afortunados, pobres mortais todos são iguais.
Abancando-se nas suas mesas, forradas, bebidas em larga escala, acepipes para todos os gostos, frutos do mar em alta, da lagosta e camarão que os pequenos mortais pescam e eles se aboletam, empanturram-se, como se fosse a última. A cerveja gelada, o refri para as crianças. Todos em um só pensamento, a espera do ano novo.
No hotel ao lado, afortunados esbanjam fartura, derrame de whiski importado, cerveja da boa, Kaize Book, Boehmia, amoras, avelãs, salames, queijos e tofus tudo enfim que faz por merecer uma casta privilegiada.
- Seja coerente, Não tem mais vaga, toda área está lotada de carros... pede o funcionário da Prefeitura educadamente, impedindo o turista de avançar a barreira que demarca o fim do estacionamento.
- Obrigado moço, agradece o condutor do veículo, num possante carro importado, que pouco se vê rodando nestas paragens.
Do outro lado, humilde cidadão ao pedalar sua bicicleta se vê restringido o seu direito de ir e vir por querer colocar seu veículo ao lado da barraca de seu primo,
- Aqui não pode pô, quer atrapalhar meu trabalho..., brada o vigilante,
- Sai fora Neco, você é criador de caso, se continuar vou chamar a polícia
- Ta bom, com o branco você não faz assim, nós da terra num tem lugar nem pra ver os fogo.
Vai começar o ponto culminante de nossa festa, anuncia o locutor, aquela voz por demais conhecida por todos freqüentadores.
E eis que estouram no ar fogos de artifício, lindos de se vê, acompanhando os aplausos de todos presente. A mente e o coração voltados para a alegria, felicidade incontida, misturam-se todos, o povo ralé, a plebe rudimentar, o rico abastado, todos cumprimentam-se, abraços, euforia, felicidade estampada nas faces deslumbradas. No céu mais um ribombar de fogos chamando a tenção dos presente, que extasiados olham o céu em sua magnitude, lindo, com o colorido artificial.
- Vocês pensam que acabou, agora é que vem o melhor, avisa a voz agoureira prenunciando a desgraça.
Os fogos não subiram, desceram em cima dos presente desafortunados, a correria, o estrondo de um morteiro em direção da barraca principal (da ellite) toda engalanada, que esperava um grande faturamento, lógico é dia de festa e os clientes vips estariam por lá.
Correria insana, sangues sobre as mesas, estilhaços de vidros cortantes por todo lado, pessoas queimadas, mutilações, escoriações por todo corpo, feridas exposta, mais ainda o pânico, o pavor , mdo do inesperado.
- Meu Deus como tudo pôde acabar assim, uma festa tão linda!
- Chamem uma ambulância, por favor, quem tiver carro que leve os acidentados para
O hospital (sic).
- Não, por Deus suspendam os fogos, bradava o locutor, não há mais razão de continuar.
Mais um carro aqui, por favor, aos berros ele gritava,
A correria desenfreada, sem rumo, sem norte, o povo sim a massa não pensa torna-se turba, sem governo, sem destino.
Porque aconteceu este trágico acidente
A quem culpar.?
^Quem será responsabilizado?
São perguntas que todos fazem, porem esquece que o estopim ainda continua acêso, e irá detonar no colo de quem?
FELIZ ANO NOVO.
Gteixeira
Quinta-feira, 26 de março de 2009.
CRÔNICA DO REAL
Nasci de novo.
Mais precisamente as 14;00hs, nesta data transitava eu por um bairro na Cidade de (do) Salvador, indo em busca de me reencontrar, por em dia a caridade, orar por alguém, coisas do amor, do coração segundo o apostolo, “dando que se recebe” absorto em pensamentos tais que a viagem mental fazia-se presente, estava pisando na terra, em algum bairro que poderia dizer-se terra de ninguém, no jargão futebolístico, ali não nasce grama é árido, seco sem generalizar, pois muitas almas boas por ali residem, vivem seu dia a dia, sem dar conta do que se passa ao seu redor. Ah maravilha! o papa por aqui passou, rezou missa, salvou almas do purgatório abençoou os pecadores.
D. Dina uma grande cozinheira, mora por ali, Tânia também sua irmã gente boa acho até que ela já se mudou, foi por causa de Carrasco, um cara nem aí, bebia pra caramba, gente boa, bombinha pra ele, ah mais ralo que suco de uva, só duas pra benzer o dia. Seu Zé serralheiro, o encontrou dentro da vala no Bate-estaca, espumando, cheirando a 51, pobre Carrasco, logo no dia do pagamento, as grades de Seu Joca, técnico de televisão, esse sim fera num preto e branco consertava de tudo, toda pronta feita com vergalhão do ferro velho
a grade pintada com zarcão mais parecia corrimão da igreja do sétimo dia onde o pastor Zaqeu derrama palavras por ele ditas como de Deus, santa heresia. O Papa passou por aqui!
Nesta viagem onde todos aqui vibram com a chegada do dia do recebimento do bolsa família a garantia da felicidade;
Sabendo que as bocadas estão se formando, o passo se acelera, o coração bate apressado, o beco torna-se cumprido e escuro, o algoz aproxima-se, abraço de tamanduá, pescoço engravatado por um braço mulato e forte, arma em punho no pescoço da vitima.
- Se gritar morre, .O diálogo é rápido, ríspido, forte
- Entregue tudo,... Só tem isso, . Vamos pó, cadê o relógio, ... Não me olhe, baixe a cabeça, rumbora, rumbora, que se fudê porra, anda logo caralho, o outro corre a mão pelos bolso da calça, limpa tudo e se adianta, trabalho bem feito.
Levaram quase tudo, corri mão no bolso e lá estava o relógio e o celular, Ufa que alivio, me situei, entrei numa loja, marceneiro trabalhando contei o acontecido, bebi um copo d’água, de repente.
- Quem mandou você entrar no estabelecimento do cara, filho da puta ?
- Se caguetar vou derrubar todos dois...
- Cadê o relógio ? O de camisa vermelha, acompanhado pelo menor, ainda de arma em punho, pede de novo cadê..., Passei a mão no bolso traseiro, vi a arma de relance, observei na mão do grandão a minha carteira, Ah, era verdade, ele o margina estava me devolvendo a minha carteira com tudo dentro, exceto a grana, claro. Fiz a permuta, carteira de um, relógio de outro.
Tomei pé, respirei, ainda não tinha me situado, continuava a viagem,
Chegando ao destino, suor por todos os poros, busquei ar puro, abrir a porta para me refrescar pernas trêmulas, camisa encharcada.
Medo não senti, pois a ação de tão rápida não deixa este sentimento aflorar. Segue a viagem, eles se foram outras vitimas farão.
Adentro a casa de oração.
- Lá isso é hora chegou atrasado de novo
- Pai nosso que estas no céu, ... Senhor escutai a nossa prece.
Agradeço a Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo e aos espíritos benfeitores que me deram uma nova oportunidade de por aqui passar pelas provas e expiações, sem nada ter que reclamar.
Estou vivo. Graças a DEUS.
Muito obrigado Senhor. Muito obrigado.
Gteixeira
CRÔNICA DO REAL
Nasci de novo.
Mais precisamente as 14;00hs, nesta data transitava eu por um bairro na Cidade de (do) Salvador, indo em busca de me reencontrar, por em dia a caridade, orar por alguém, coisas do amor, do coração segundo o apostolo, “dando que se recebe” absorto em pensamentos tais que a viagem mental fazia-se presente, estava pisando na terra, em algum bairro que poderia dizer-se terra de ninguém, no jargão futebolístico, ali não nasce grama é árido, seco sem generalizar, pois muitas almas boas por ali residem, vivem seu dia a dia, sem dar conta do que se passa ao seu redor. Ah maravilha! o papa por aqui passou, rezou missa, salvou almas do purgatório abençoou os pecadores.
D. Dina uma grande cozinheira, mora por ali, Tânia também sua irmã gente boa acho até que ela já se mudou, foi por causa de Carrasco, um cara nem aí, bebia pra caramba, gente boa, bombinha pra ele, ah mais ralo que suco de uva, só duas pra benzer o dia. Seu Zé serralheiro, o encontrou dentro da vala no Bate-estaca, espumando, cheirando a 51, pobre Carrasco, logo no dia do pagamento, as grades de Seu Joca, técnico de televisão, esse sim fera num preto e branco consertava de tudo, toda pronta feita com vergalhão do ferro velho
a grade pintada com zarcão mais parecia corrimão da igreja do sétimo dia onde o pastor Zaqeu derrama palavras por ele ditas como de Deus, santa heresia. O Papa passou por aqui!
Nesta viagem onde todos aqui vibram com a chegada do dia do recebimento do bolsa família a garantia da felicidade;
Sabendo que as bocadas estão se formando, o passo se acelera, o coração bate apressado, o beco torna-se cumprido e escuro, o algoz aproxima-se, abraço de tamanduá, pescoço engravatado por um braço mulato e forte, arma em punho no pescoço da vitima.
- Se gritar morre, .O diálogo é rápido, ríspido, forte
- Entregue tudo,... Só tem isso, . Vamos pó, cadê o relógio, ... Não me olhe, baixe a cabeça, rumbora, rumbora, que se fudê porra, anda logo caralho, o outro corre a mão pelos bolso da calça, limpa tudo e se adianta, trabalho bem feito.
Levaram quase tudo, corri mão no bolso e lá estava o relógio e o celular, Ufa que alivio, me situei, entrei numa loja, marceneiro trabalhando contei o acontecido, bebi um copo d’água, de repente.
- Quem mandou você entrar no estabelecimento do cara, filho da puta ?
- Se caguetar vou derrubar todos dois...
- Cadê o relógio ? O de camisa vermelha, acompanhado pelo menor, ainda de arma em punho, pede de novo cadê..., Passei a mão no bolso traseiro, vi a arma de relance, observei na mão do grandão a minha carteira, Ah, era verdade, ele o margina estava me devolvendo a minha carteira com tudo dentro, exceto a grana, claro. Fiz a permuta, carteira de um, relógio de outro.
Tomei pé, respirei, ainda não tinha me situado, continuava a viagem,
Chegando ao destino, suor por todos os poros, busquei ar puro, abrir a porta para me refrescar pernas trêmulas, camisa encharcada.
Medo não senti, pois a ação de tão rápida não deixa este sentimento aflorar. Segue a viagem, eles se foram outras vitimas farão.
Adentro a casa de oração.
- Lá isso é hora chegou atrasado de novo
- Pai nosso que estas no céu, ... Senhor escutai a nossa prece.
Agradeço a Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo e aos espíritos benfeitores que me deram uma nova oportunidade de por aqui passar pelas provas e expiações, sem nada ter que reclamar.
Estou vivo. Graças a DEUS.
Muito obrigado Senhor. Muito obrigado.
Gteixeira
sábado, 15 de maio de 2010
COTIDIANO
COTIDIANO
1 gteixeira · Salinas da Margarida, BA
1/3/2010 · 9 · 10 COTIDIANO
“..Quando de repente o papagaio do motô ataca com um arrocha naquela voz anasalado, que tormento!
“O amor não acabou, não acabou o amor”, diz aos ouvintes ser um cantor apaixonado, de repente sai
“faz um jeitinho que ela gosta, arrocha, arrocha, arrocha” lá no fundo ouve-se um grito, ou gemido, uiiiii, lascívia pura num verdadeiro orgasmo musical,
levando ao delírio as pobres cabeças “non sense” que se regozijam ao chegar o fim do mês. Irão eles de cartão em punho buscar as migalhas oferecidas, formando filas dos desesperados a frente dos estabelecimentos bancários, lá vão eles, felizes, até quando...
- Que bom, acho que vai da pra comprar o novo cd de Tyrone Cigano.
- Ah besta! Você não ouviu o de Silvano Sales, tá melhor do que o de Nara. Retruca a amiga ao lado.
Sobrou pra Nara, que no túmulo se ouvisse, como diz os espiritualista, morto vive, ela provavelmente balançaria ao saber que seu nome era citado. Mas que nada, não era aquela Nara que pensamos, pois ali ela viraria gatinha, dessas deserdadas que nem em peixaria se vê.
E lá vão eles, enfrentando o buzu cheio do dia dia, satisfeitos com a benesse do Governo que os arrocha sem sentirem... e o arrocha acaba em terra, quando um desmarcado roça a bunda de D. Benedita, e ela berra,
- sai pra lá filho de anta, ta pensando que aqui é a bunda sua mãe, porra.!
Descendo ladeira abaixo, óbvio pois quem desce só desce, o nosso buzu para no ponto da feira de Água de Meninos, uma das maiores feiras livre do Nordeste, famosa por constar em romances de Jorge Amado, completando sua lotação. Escrito está bem a frente do motorista “23 passageiros sentados, 8 passageiros em pé “ porém nem sempre vale o que está escrito. Apinhados como sardinha em lata, sobe dentre eles uma senhora, devidamente paramentada com a camisa nas cores vermelha e preta, no peito em alto relevo orgulhosamente ela exibe como se fora vitrine de loja na Baixa dos Sapateiros, distintivo do E.C.Vitória, traz enrolado no papel jornal, embaixo do braço um galináceo rubro, de crista carnuda e asas curtas e longas, espécie preferida dos praticantes da religião do candomblé, fácil prevê que aquela ave seria sacrificada no ritual daquela seita. Ao seu lado um passageiro, bem vestido, de casaco branco, botões vermelhos, contrastando com a cor da beca, fazendo-se notar.
Eis que de repente.(sic) O galo estica o pescoço para tomar um ar e ver-se livre daquele odor forte, insuportável que sai debaixo daquelas gordas axilas, vê de imediato á sua frente três carôço de milho, bicou de imediato, arrancando o botão do paletó de nosso impecável passageiro.
Ai o bicho pegou... O bem vestido cavalheiro, tacou-lhe um bofete. O galo, sentiu a cabeça rodar, meio atônito, sem saber o que acontecia, não perdeu a pose. Cantou
- Cocorocó... Dona gorda de imediato retrucou.
- Tu vai ver sacana, esse galo é de Exu, vai me pagar, você vai cagar sangue.
E segue o buzu, conduzindo seus passageiros aos melancólicos destinos, cada um carregando consigo mazelas e dificuldades que, nem se dão conta de sua grandeza como seres humanos, em sua pequenez como gente, que habita em bairros periféricos de uma grande city latino-americana.
Adiante uma placa sinalizadora indica a próxima parada.
Suçuarana.
O cobra ataca... Quem vai ficar na Onça ? Numa alusão ao bairro que leva o nome de um carnívoro felino, que para sobreviver na selva, estraçalha sua vítimas com garras e dentes afiados, tal qual o sistema imposto aos menos favorecidos que habitam as grandes metrópoles, como nossos passantes, que não se da conta da sua verdadeira identidade.
E segue o buzu.
1 gteixeira · Salinas da Margarida, BA
1/3/2010 · 9 · 10 COTIDIANO
“..Quando de repente o papagaio do motô ataca com um arrocha naquela voz anasalado, que tormento!
“O amor não acabou, não acabou o amor”, diz aos ouvintes ser um cantor apaixonado, de repente sai
“faz um jeitinho que ela gosta, arrocha, arrocha, arrocha” lá no fundo ouve-se um grito, ou gemido, uiiiii, lascívia pura num verdadeiro orgasmo musical,
levando ao delírio as pobres cabeças “non sense” que se regozijam ao chegar o fim do mês. Irão eles de cartão em punho buscar as migalhas oferecidas, formando filas dos desesperados a frente dos estabelecimentos bancários, lá vão eles, felizes, até quando...
- Que bom, acho que vai da pra comprar o novo cd de Tyrone Cigano.
- Ah besta! Você não ouviu o de Silvano Sales, tá melhor do que o de Nara. Retruca a amiga ao lado.
Sobrou pra Nara, que no túmulo se ouvisse, como diz os espiritualista, morto vive, ela provavelmente balançaria ao saber que seu nome era citado. Mas que nada, não era aquela Nara que pensamos, pois ali ela viraria gatinha, dessas deserdadas que nem em peixaria se vê.
E lá vão eles, enfrentando o buzu cheio do dia dia, satisfeitos com a benesse do Governo que os arrocha sem sentirem... e o arrocha acaba em terra, quando um desmarcado roça a bunda de D. Benedita, e ela berra,
- sai pra lá filho de anta, ta pensando que aqui é a bunda sua mãe, porra.!
Descendo ladeira abaixo, óbvio pois quem desce só desce, o nosso buzu para no ponto da feira de Água de Meninos, uma das maiores feiras livre do Nordeste, famosa por constar em romances de Jorge Amado, completando sua lotação. Escrito está bem a frente do motorista “23 passageiros sentados, 8 passageiros em pé “ porém nem sempre vale o que está escrito. Apinhados como sardinha em lata, sobe dentre eles uma senhora, devidamente paramentada com a camisa nas cores vermelha e preta, no peito em alto relevo orgulhosamente ela exibe como se fora vitrine de loja na Baixa dos Sapateiros, distintivo do E.C.Vitória, traz enrolado no papel jornal, embaixo do braço um galináceo rubro, de crista carnuda e asas curtas e longas, espécie preferida dos praticantes da religião do candomblé, fácil prevê que aquela ave seria sacrificada no ritual daquela seita. Ao seu lado um passageiro, bem vestido, de casaco branco, botões vermelhos, contrastando com a cor da beca, fazendo-se notar.
Eis que de repente.(sic) O galo estica o pescoço para tomar um ar e ver-se livre daquele odor forte, insuportável que sai debaixo daquelas gordas axilas, vê de imediato á sua frente três carôço de milho, bicou de imediato, arrancando o botão do paletó de nosso impecável passageiro.
Ai o bicho pegou... O bem vestido cavalheiro, tacou-lhe um bofete. O galo, sentiu a cabeça rodar, meio atônito, sem saber o que acontecia, não perdeu a pose. Cantou
- Cocorocó... Dona gorda de imediato retrucou.
- Tu vai ver sacana, esse galo é de Exu, vai me pagar, você vai cagar sangue.
E segue o buzu, conduzindo seus passageiros aos melancólicos destinos, cada um carregando consigo mazelas e dificuldades que, nem se dão conta de sua grandeza como seres humanos, em sua pequenez como gente, que habita em bairros periféricos de uma grande city latino-americana.
Adiante uma placa sinalizadora indica a próxima parada.
Suçuarana.
O cobra ataca... Quem vai ficar na Onça ? Numa alusão ao bairro que leva o nome de um carnívoro felino, que para sobreviver na selva, estraçalha sua vítimas com garras e dentes afiados, tal qual o sistema imposto aos menos favorecidos que habitam as grandes metrópoles, como nossos passantes, que não se da conta da sua verdadeira identidade.
E segue o buzu.
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