Quinta-feira, 26 de março de 2009.
CRÔNICA DO REAL
Nasci de novo.
Mais precisamente as 14;00hs, nesta data transitava eu por um bairro na Cidade de (do) Salvador, indo em busca de me reencontrar, por em dia a caridade, orar por alguém, coisas do amor, do coração segundo o apostolo, “dando que se recebe” absorto em pensamentos tais que a viagem mental fazia-se presente, estava pisando na terra, em algum bairro que poderia dizer-se terra de ninguém, no jargão futebolístico, ali não nasce grama é árido, seco sem generalizar, pois muitas almas boas por ali residem, vivem seu dia a dia, sem dar conta do que se passa ao seu redor. Ah maravilha! o papa por aqui passou, rezou missa, salvou almas do purgatório abençoou os pecadores.
D. Dina uma grande cozinheira, mora por ali, Tânia também sua irmã gente boa acho até que ela já se mudou, foi por causa de Carrasco, um cara nem aí, bebia pra caramba, gente boa, bombinha pra ele, ah mais ralo que suco de uva, só duas pra benzer o dia. Seu Zé serralheiro, o encontrou dentro da vala no Bate-estaca, espumando, cheirando a 51, pobre Carrasco, logo no dia do pagamento, as grades de Seu Joca, técnico de televisão, esse sim fera num preto e branco consertava de tudo, toda pronta feita com vergalhão do ferro velho
a grade pintada com zarcão mais parecia corrimão da igreja do sétimo dia onde o pastor Zaqeu derrama palavras por ele ditas como de Deus, santa heresia. O Papa passou por aqui!
Nesta viagem onde todos aqui vibram com a chegada do dia do recebimento do bolsa família a garantia da felicidade;
Sabendo que as bocadas estão se formando, o passo se acelera, o coração bate apressado, o beco torna-se cumprido e escuro, o algoz aproxima-se, abraço de tamanduá, pescoço engravatado por um braço mulato e forte, arma em punho no pescoço da vitima.
- Se gritar morre, .O diálogo é rápido, ríspido, forte
- Entregue tudo,... Só tem isso, . Vamos pó, cadê o relógio, ... Não me olhe, baixe a cabeça, rumbora, rumbora, que se fudê porra, anda logo caralho, o outro corre a mão pelos bolso da calça, limpa tudo e se adianta, trabalho bem feito.
Levaram quase tudo, corri mão no bolso e lá estava o relógio e o celular, Ufa que alivio, me situei, entrei numa loja, marceneiro trabalhando contei o acontecido, bebi um copo d’água, de repente.
- Quem mandou você entrar no estabelecimento do cara, filho da puta ?
- Se caguetar vou derrubar todos dois...
- Cadê o relógio ? O de camisa vermelha, acompanhado pelo menor, ainda de arma em punho, pede de novo cadê..., Passei a mão no bolso traseiro, vi a arma de relance, observei na mão do grandão a minha carteira, Ah, era verdade, ele o margina estava me devolvendo a minha carteira com tudo dentro, exceto a grana, claro. Fiz a permuta, carteira de um, relógio de outro.
Tomei pé, respirei, ainda não tinha me situado, continuava a viagem,
Chegando ao destino, suor por todos os poros, busquei ar puro, abrir a porta para me refrescar pernas trêmulas, camisa encharcada.
Medo não senti, pois a ação de tão rápida não deixa este sentimento aflorar. Segue a viagem, eles se foram outras vitimas farão.
Adentro a casa de oração.
- Lá isso é hora chegou atrasado de novo
- Pai nosso que estas no céu, ... Senhor escutai a nossa prece.
Agradeço a Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo e aos espíritos benfeitores que me deram uma nova oportunidade de por aqui passar pelas provas e expiações, sem nada ter que reclamar.
Estou vivo. Graças a DEUS.
Muito obrigado Senhor. Muito obrigado.
Gteixeira
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