segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O GARANHÃO DO RECÔNCAVO

O GARANHÃO.

Atenção, muita atenção. Nota de falecimento.

Anuncia o carro de som percorrendo as ruas daquela cidadezinha, pacata e ordeira,

“Acaba de falecer o Senhor Manoel dos santos aras”, mais conhecido por Nezinho, as suas esposas, Irenice dos santos Aras e Araci dos santos Ara, convidam para este ato de piedade cristã, saindo o féretro da Rua da Vaidade, dirigindo-se para a sua última morada, onde lá, ele receberá as homenagens. Estamos anunciando o falecimento de Manoel dos santos Ara, mais conhecido por Nezinho.”

Nezinho deixa como herança 2 sítios produtivos, criação de cabra e bode, mais alguns trocados por ele economizado, como pensão para as viúvas, para elas não passarem por aperto, além de um jumento, batizado por seleção, por seu pescoço ter duas pintas, na cor verde e outra amarela.

Contam as más línguas do lugar que, o velho tinha que comparecer pelo menos duas vezes por semana, para amenizar o fogo das donzelas, pois as moças, uma freqüentadora da igreja da matriz, beata convicta, a outra protestante da Igreja Universal. Sem pecado, era mais fogosa que Tereza Batista, D. Flor perdia feio, as meninas sapecavam no couro e o veio Mané não se contentava.

Acostumado na lida, após o trabalho, trazia sempre que voltava prá casa, na algibeira, coisas prá “home macho”, Arranca Toco, mandioca e Levanta defunto, para as meninas preparar chá de infusão, que lhe dava sustento e tesão. A do mijo, ah ah,ah, era sagrada, manhãzinha, galo cantando, sol despontando no horizonte, corria a mão pro lado direito, e lá estava uma periquita á espera, ao virar para o esquerdo, uma afronta, teria que dar conta do recado, deitada, peitos a mostra, mais em baixo, aquele alto relevo “capot de fusca” a espera do seu aconchego. E assim vivia Seu Mané, todo dia tinha que comparecer, se não...

Temente a Deus, cumprindo rigorosamente com as obrigações do templo protestante, varrendo terreiro, arrumando a casa, e lavando roupa, Ará, como era chamado pelo veio Mané, preparava quitutes deliciosos, a sua punheta (bolinho de estudante) era famoso, tanto sim, que levava para o pastor Bené, êta que delicia, ele se fartava, Vez por outra levava a penitente à sala de confissão, onde ali Ará era aconselhada a deixar o marido da sua irmã.

Contava ela, que Nezinho, dias alternados, após o trabalho, Seleção liberada dos afazeres, pronta para seu descanso diário, merecido, ele a esperava. No banheiro, sabonete no chão, torneira aberta, toalha no cabide talco na saboneteira, não fazia por menos, chibata na mão, bunda fresca ansiosa, aguardava aqueles momentos, carne lisa, seios pontiagudos, espuma a escorrer pelo corpo, descendo tal cachoeira a desaguar, formando um riacho de prazer, “água de morro abaixo, fogo de morro acima, mulher quando quer dá ninguém segura” e o couro comendo.

Ouvido colado na porta do banheiro, lado de fora, a mana mais velha sentia todo o ardor fogoso do gozo consentido, a mão a correr pelas partes íntimas, deixava-a toda molhada, sentindo as sensações, como se fosse recebedora das chibatadas do seu amante insaciável.

Desperta do seu idílio sensual ao ouvir o relincho inoportuno de Seleção, reclamando a presença do seu tratador. Atônita, peitos rijos fora da blusa, nádegas a roçar o cabo de vassoura, mãos operosas bulinando a vagina á mostra, líquido quente e viscoso escorrendo pernas abaixo.

- Valha-me Deus, vixe Maria, Satanás me possuiu de novo Pastor Bené.

-Tenho que pagar penitencia, senão o Diabo me espera na porta do inferno.

Bené se recompôs, camisas de manga comprida bem postada, calça preta, arriada, vai ao banheiro, ajeita-se, se vê no espelho. abaixo da axilas a Bíblia Sagrada.

Parte em direção a rua.

Em casa, sua filha menor faz a recepção.

- Papai, como foi a pregação...