FELIZ NATAL, ROU, ROU ROU, ROU...
Tempo de festa, de fraternidade, as pessoas comungam o mesmo pensamento, as famílias se reúnem numa só euforia, a criançada, ah! essa então, na expectativa de um bom papai Noel.
Xii, e a chaminé, por onde ele vai descer? Será que ele sabe qual é o andar do meu apartamento? questiona Malcon Robert, filho de um abastado estilista de uma grande capital.
Foveiro, filho de um catador de lixo, hoje reconhecido como reciclador, nos seus 08 anos de idade, jamais recebera um presente digno, na creche, sempre ficava por último. A família? Ah, quem dera, nunca soube se tinha avó ou avô, nunca sentaram à mesa reunidos para confraternizar a data especial, seus presentes sempre foram os reciclados, trabalhados pelo pai, que ao ver as vitrines, ornamentadas e cheias de presentes e luzes, embalagens brilhantes, deixavam-no extasiado.
Quando será meu Deus, que um dia eu vou dar um bom presente pra meu filho?
Rufino nunca pôde sentar num banco de uma escola, fizera o Mobral (Movimento brasileiro pela alfabetização) saíra bem, suas notas eram razoáveis e boa; com dificuldade aprendera a ler e escrever, na conta era o tal, o dono da reciclagem sabia que com ele não ia levar vantagem, nem no preço e nem no peso. Mas era estóico, puxava sua carroça cheia de papelões e outros objetos (dejetos), aquilo não lhe completava, porém, sabia que não ia passar fome, necessidade sim, pois o básico às vezes lhe faltava.
Foveiro já estudava. Aos 8 anos começava a gaguejar as palavras fáceis de pronunciar.
CA + FE = CAFÉ BO+LA=BOL. A
TOR+TA=TORTA PU+DIM=PUDIM.
Paiê, o que é torta ?
Paiê, o que é pudim ?
Deixa prá lá menino, isso é coisa de livro, não se acha por aqui. “Tirava de tempo”, não deixando que na criança despertasse as suas necessidades
Enquanto isso, mesa farta, vinhos de longa safra, whisky importado, cerejas, passas, amoras, e outras iguarias que a elite se empanturra esquecendo a ponte de safena. Caras vermelhas, bochechas inchadas, a comilança e a troca de presentes; tudo faz parte desta e daqueloutras famílias reunidas à espera da ceia natalina. Os abraços, sorrisos, “Feliz Natal”...
Chega a hora do esperado momento: a troca de presentes, o Amigo Secreto. Dona Cacilda, gordalhona, em dietas do dia seguinte, olhos vidrados na mesa, ouve...
_ Cacilda, você tirou quem?
_ Não digo, senão perde a graça. - Responde de maneira ríspida.
Amélia toda pan, esguia e tísica qual um palito de fósforo, troca idéias com Rosália.
Menina, você viu, que ridículo, como veste uma roupa dessa, meu marido ñ ia deixar , nem pensar! ... A inveja a transpirar.
Neste tom de amizade e cavalheirismo, desconfianças e olhares, as pessoas se cumprimentam. Beijos , abraços e escárnios, fazem parte de uma anual rotina; a família, os amigos e convidados onde a falsidade e a hipocrisia batem nos sinos de Belém, esquecendo eles que os presentes não representam a essência dessa festa.
Lá fora, uma chuva fina e desproposital, cai, molhando um monte de papelão que serve de leito para muitos dos nossos irmãos desvalidos.
Por dentro, os sinos bimbalam avisando a chegada daquele que veio ao mundo num só pensamento.
Todos nós somos filhos de um único “ DEUS”
FELIZ NATAL.
Gteixeira
12/2010
