FELIZ ANO VELHO 1
Gteixeira
Todos estavam em festa, sorriso em todos os lábios, os abraços efusivos confraternizando-se entre si. Corações abertos a esperar um novo raiar.
- Avise pra Diana que já estamos prontos.
- Pô ela sempre demora, parece que vai casar.
- Que horas são? a pergunta vem do fundo,
- V’ambora gente, não vamos achar lugar para estacionar
O burburinho dos ambulantes em busca de seus clientes, a música alegre contagiando todos como um chamado a alegria, nos rostos estampados sorrisos e emoção.
Vem rodando 2010.!
Esse ano não vai ser igual aquele ao que passou
As promessas de melhora, de vida melhor, expectativa saudável, todos enfim partilhando como numa reunião familiar a contagem regressiva. Pobre ano velho tu que fostes saudado com igual euforia, hoje se vê a beira da senectude, mal completaste um ano de vida, e já te jogam fora, descartado igual folha sêca ao vento, com pouca serventia, ontem idolatrado, esperado como um rebento numa família em estruturação. Hoje pra nada serve, fica só no calendário.
- Oh Edgar, veja ai menino que data caiu a lavagem do Bonfim...
Contagem regressiva, todos caminhando em direção ao mar, saudar Iemanjá, outros carregando sua champgne para pipocar ao raiar do ano novo, festa bonita de se vê.
Ali se misturam brancos, negros, toda classe social, todos enfim num mesmo fanal, uns se achando melhores que outros, pouca importância da aos menos afortunados, pobres mortais todos são iguais.
Abancando-se nas suas mesas, forradas, bebidas em larga escala, acepipes para todos os gostos, frutos do mar em alta, da lagosta e camarão que os pequenos mortais pescam e eles se aboletam, empanturram-se, como se fosse a última. A cerveja gelada, o refri para as crianças. Todos em um só pensamento, a espera do ano novo.
No hotel ao lado, afortunados esbanjam fartura, derrame de whiski importado, cerveja da boa, Kaize Book, Boehmia, amoras, avelãs, salames, queijos e tofus tudo enfim que faz por merecer uma casta privilegiada.
- Seja coerente, Não tem mais vaga, toda área está lotada de carros... pede o funcionário da Prefeitura educadamente, impedindo o turista de avançar a barreira que demarca o fim do estacionamento.
- Obrigado moço, agradece o condutor do veículo, num possante carro importado, que pouco se vê rodando nestas paragens.
Do outro lado, humilde cidadão ao pedalar sua bicicleta se vê restringido o seu direito de ir e vir por querer colocar seu veículo ao lado da barraca de seu primo,
- Aqui não pode pô, quer atrapalhar meu trabalho..., brada o vigilante,
- Sai fora Neco, você é criador de caso, se continuar vou chamar a polícia
- Ta bom, com o branco você não faz assim, nós da terra num tem lugar nem pra ver os fogo.
Vai começar o ponto culminante de nossa festa, anuncia o locutor, aquela voz por demais conhecida por todos freqüentadores.
E eis que estouram no ar fogos de artifício, lindos de se vê, acompanhando os aplausos de todos presente. A mente e o coração voltados para a alegria, felicidade incontida, misturam-se todos, o povo ralé, a plebe rudimentar, o rico abastado, todos cumprimentam-se, abraços, euforia, felicidade estampada nas faces deslumbradas. No céu mais um ribombar de fogos chamando a tenção dos presente, que extasiados olham o céu em sua magnitude, lindo, com o colorido artificial.
- Vocês pensam que acabou, agora é que vem o melhor, avisa a voz agoureira prenunciando a desgraça.
Os fogos não subiram, desceram em cima dos presente desafortunados, a correria, o estrondo de um morteiro em direção da barraca principal (da ellite) toda engalanada, que esperava um grande faturamento, lógico é dia de festa e os clientes vips estariam por lá.
Correria insana, sangues sobre as mesas, estilhaços de vidros cortantes por todo lado, pessoas queimadas, mutilações, escoriações por todo corpo, feridas exposta, mais ainda o pânico, o pavor , mdo do inesperado.
- Meu Deus como tudo pôde acabar assim, uma festa tão linda!
- Chamem uma ambulância, por favor, quem tiver carro que leve os acidentados para
O hospital (sic).
- Não, por Deus suspendam os fogos, bradava o locutor, não há mais razão de continuar.
Mais um carro aqui, por favor, aos berros ele gritava,
A correria desenfreada, sem rumo, sem norte, o povo sim a massa não pensa torna-se turba, sem governo, sem destino.
Porque aconteceu este trágico acidente
A quem culpar.?
^Quem será responsabilizado?
São perguntas que todos fazem, porem esquece que o estopim ainda continua acêso, e irá detonar no colo de quem?
FELIZ ANO NOVO.
Gteixeira
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